ATIVIDADE 11
Trechos da carta de Pero Vaz de Caminha
A carta de Pero Vaz de
Caminha foi escrita com o objetivo de relatar ao rei de Portugal, dom
Manuel I, os principais acontecimentos da expedição comandada por Pedro
Álvares Cabral às Índias.
A seguir, serão apresentados
alguns trechos que se referem aos primeiros contatos dos portugueses com
as populações indígenas e com as terras que deram origem ao nosso país.
Leia com atenção os fragmentos selecionados e, em seguida, responda às questões propostas.
Trecho 1
A pele deles é parda e um
pouco avermelhada. Têm rostos e narizes bem feitos. Andam nus, sem
cobertura alguma. Nem se preocupam em cobrir ou deixar de cobrir suas
vergonhas mais do se que preocupariam em mostrar o rosto. E a esse
respeito são bastante inocentes. Ambos traziam o lábio inferior furado e
metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e
da grossura de um fuso de algodão, fino na ponta como um furador. (…)
Os cabelos deles são lisos. E
os usavam cortados e raspados até acima das orelhas. E um deles trazia
como uma cabeleira feita de penas amarelas que lhe cobria toda a cabeça
até a nuca (…).
Parece-me
gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a
nossa, eles se tornaria, logo cristãos, visto que não aparentam ter nem
conhecer crença alguma. Portanto, se os degredados que vão ficar aqui
aprenderem bem a sua fala e só entenderem, não duvido que eles, de
acordo com a santa intenção de Vossa Alteza, se tornem cristãos e passem
a crer na nossa santa fé. Isso há de agradar a Nosso Senhor, porque
certamente essa gente é boa e de bela simplicidade. E poderá ser
facilmente impressa neles qualquer marca que lhes quiserem dar, já que
Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens. E
creio que não foi sem razão o fato de Ele nos ter trazido até aqui.
Trecho 2
Esta
terra, Senhor, parece-me que, da ponta mais ao Sul até a outra ponta ao
Norte, do que nós pudemos observar deste porto, é tão grande que deve
ter bem ou vinte e cinco léguas de costa. Ao longo do mar, têm, em
algumas partes, grandes barreiras, uma vermelhas e outras brancas; e a
terra é toda chã e muito formosa. O sertão nos pareceu, visto do mar,
muito grande; porque a estender os olhos não podíamos ver senão terra e
arvoredos – terra que nos parecia muito extensa.
Até
agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de
metal, ou ferro; nem os vimos. Contudo, a terra em si é de bom clima,
fresco e temperado, como os de Entre-D’Ouro-E-Minho, nesta época do ano.
As águas são muitas; infinitas. De tal maneira é graciosa que,
querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem!
Significados de algumas palavras
Chã: plana
Degredado: exilado
Entre-D’Ouro-E-Minho: regiões litorâneas de Portugal
Légua: representava para os portugueses, 5512 m.
Sertão: refere-se ao interior das terras encontradas.
Questões propostas
1.
O texto apresenta algumas características dos primeiros indígenas
avistados pelos portugueses. De que forma Caminha os descreve. Utilize
as informações do texto para construir sua resposta.
2. Como foi tratada a questão da religiosidade das populações indígenas pelo autor da carta? Justifique sua resposta.
3. Partindo da narração acima, é possível afirmar que Caminha teve uma boa impressão das terras encontradas? Por quê?
4. Quais interesses econômicos dos
portugueses sobre essas terras ficaram evidentes no texto? Justifique
sua resposta, utilizando os trechos que leu.

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